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Como o ar que atravessa o mundo, eu atravessei esta vida.
Na luz que refleti, fótons carregaram por um instante a informação de que estive aqui. Pequenos rastros da minha existência, dispersos pelo universo.
No fim, não importa. Ou talvez nunca tenha importado tanto quanto imaginei.
Menos que uma estrela hipermassiva, mais que um átomo. Em algum lugar entre os extremos.
Passei depressa. Não posso dizer o quanto fui barulhento. Isso depende da distância de quem me ouviu. Tampouco posso dizer se fui belo ou desagradável. Isso pertence aos olhos que me viram e aos ouvidos que me escutaram.
No fim, parto como cheguei. Sem nada. Sem respostas. Sem compreender.
Enquanto meu corpo repousa sobre a terra revolvida, já não habito a matéria que um dia chamei de minha. Aos que me carregam até o túmulo, o peso sobre seus ombros é apenas matéria orgânica seguindo seu destino.
Aos que choram... se choram... também chorei inúmeras vezes.
E aos organismos que um dia devolverão cada átomo do meu corpo ao ciclo da vida...
Bom apetite.
- Gabriel Oliveira
September 14, 2026
10:12 AM