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Vejo meu sangue escorrer pelo meu corpo,
pingar como chuva
no carnaval da morte.
Vermelho.
Tudo está vermelho,
lembrando os lábios dela.
Aperto os espinhos da rosa com mais força.
Finco a adaga mais fundo.
Dor.
Dor.
É tudo o que conheço.
Estou em casa aqui.
Posso sentir.
Está me matando.
Isso é bom.
Eu faço isso a mim mesmo.
A dor é boa.
Só nela me encontro de verdade.
Posso sentir a ponta da lâmina
riscando meu coração.
Minha respiração está pesada.
Vou apagar a qualquer momento.
Pequenas artérias esguicham,
formando um desenho
na parede escura.
Mas eu não sei o que é.
Nunca sei.
Minha visão está turva.
Meus sentidos, fracos.
São meus últimos momentos.
Logo estarei liberto.
De mim.
- Gabriel Lafourcade
September 15, 2026
5:35 PM
